No dia 15 de agosto será lançada a segunda etapa da coleção moda brasileira. A primeira, com cinco livros foi um verdadeiro milagre.
Valeu a pena, a Elaine, designer responsável pelo projeto gráfico dos livros, ganhou o prêmio Aloisio Magalhães de design gráfico, oferecido pela Biblioteca Nacional.
Eu fiquei bastante feliz com o resultado, mas fiz o possível para diminuir a quantidade de livros e aumentar o prazo dos próximos cinco. Sem sucesso. Vamos novamente percorrer a corrida de obstáculos em tempo recorde.
Temos cerca de 150 dias para estar com os 25 mil exemplares no depósito se preparando para o grande dia.
Apesar do desafio não ser pequeno, estou confiante e cheia de disposição: acabei de voltar de ferias; a Flávia, que cuidou dos livros mais difeis na primeira fase e com quem me entendo muito bem, vai cuidar de todo o projeto gráfico; e o mais importante, conquistei um parceiro para dividir comigo esta empreitada editorial, o Cauê.
Este blog vai reunir, a partir de hoje, toda a informação do processo de produção dos livros.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Correndo contra o tempo


Cronograma do nosso livro 1. (Não podemos esquecer dos outros 4 nem por um minuto.)

Clô Orozco
29/1 - Reunião Clô. Presentes: Cynthia, Gabriel, Cauê, Flávia, Os Coordenadores e eu
30/1 - Reunião Thais Mol, prefácio ok
7/2 - Primeira versão da cronologia
8/2 - Ligar Bob Wolfenson
11/2 - Primeira reunião editorial do ano. Ter preparado, impresso e na ponta da língua:

- planilha
- cronologia
- autores (ok)
- cronograma
- imagens impressas
- projeto editorial

12/2 - Visita à fábrica da Clô. Cynthia, Thais, Flávia, Nino, Cauê e eu
15/2 - Até esta data precisamos ter uma reunião de roupas da década de 80
16/2 - Ensaio fotográfico, fábrica, roupas antigas etc.
18 - 22/2 - A semana da composição. (Se funcionar, podemos fazer esta semana em todos os livros.) A semana da composição é quando a Flávia tem que ter todo material para trabalhar. Nenhuma foto em baixa resolução passará do domingo anterior, por isso corram contra o tempo, tudo menos os textos terá que estar reunido e organizado com os seguintes dados: nome do fotógrafo, nome da modelo, data. É lógico que pode faltar alguma coisa, ou a Flávia pode querer incluir outra. Mas o grosso tem que estar disponivel para evitar o enlouquecimento prematuro da nossa designer. Neste primeiro livro, mesmo a contra-gosto ela terá que trabalhar com texto fake. Paciência Flá, não tem outro jeito, quem sabe no segundo, ou terceiro livro sincronizamos.
20/2 - Entrega do Prefácio, leitura, alterações necessárias e envio para preparação se possível no mesmo dia. Eu queria trabalhar com a Tereza Gouveia para tudo. Vamos ver se a Evia consegue.
26/2 - Apresentar o projeto para Clô. Antes disto, mostrar para Augusto e equipe interna tb darem seus palpites, ou calarem-se para sempre.
29/2 - Apenas no dia 29 chegará o ensaio principal. Cauê vai ler primeiro, depois eu, propor as alterações necessárias e voar para preparação. Dia 4 deve chegar e no máximo dia 5 vai para composição.
7/2 - primeira prova -> revisão.
11/2 - bater emendas -> segunda prova. Vamos fazer uma segunda revisão apenas se julgarmos necessário.
14/2 - fechamento dos arquivos -> gráfica

(ilustração de Sir John Tenniel, 1866)

Os textos da Clo já estão garantidos!





A Thais Mol assinará o prefácio. O ensaio será feito pela Cynthia Garcia (foto), historiadora, jornalista e colaboradora de inúmeras revistas e jornais. A quarta capa será da super-Costanza. Clo, com toda sua simpatia e talento, os convites para os textos foram todos aceitos prontamente.

Em breve vou postar uma mini bio das autoras.

Por enquanto links para os blogs da Thais, aliás, Thais, quantos blogs vc tem? Coloquei só estes dois, mas vi outros por ai.





Huis Clos

Muito bom o texto enviado hoje pelo Cauê sobre o livro que deu o nome à marca de Clo Orozco. Nos resta agora perguntar a ela qual foi sua motivação ao atribuir a sua marca este mórbido contexto. Parece claro que ela tem uma boa dose de humor e ironia. E que lançou uma critica à banalidade da sua própria profissão. Será, sem dúvida, interessante ouvir isso nas palavras dela.

O que a imprensa diz sobre: ENTRE QUATRO PAREDES - O Globo / Data: 19/3/2005

Morte, parábola da vida

A solidão tem suas dores, mas oferece, ao menos, uma vantagem: não ameaça as imagens que cultivamos a nosso próprio respeito. Já a presença do outro, ao contrário, se ampara e reconforta, expõe — como um espelho malvado — o que somos e não queremos saber que somos. “O inferno são os outros”, escreveu o filósofo francês Jean-Paul Sartre, naquela que é, provavelmente, sua sentença mais célebre. A frase é a síntese de Entre quatro paredes, uma das onze peças de teatro escritas por Sartre, que completaria 100 anos em 2005.
Três pessoas morrem e chegam ao inferno. São recebidas por um criado, sóbrio e impessoal como os mordomos do cinema. O jornalista e literato Joseph Garcin, desertor e covarde, tinha o prazer sádico de torturar a mulher. Morreu fuzilado. A funcionária dos correios Inês Serrano seduziu a mulher de um primo, a quem odiava, e com ela passou a viver. Um dia, sua amante resolveu se suicidar, abriu a torneira do gás, e a levou junto. A esnobe Estelle Rigault foi apanhada pela morte quando se preparava para realizar a grande mudança de sua vida: trocar um casamento de conveniência por um antigo amor. Além de trair o marido, Estelle assassinou uma filha ilegítima. Morreu de pneumonia.
Assim que chegam ao inferno, os três são trancados numa sala onde existem apenas canapés verde-espinafre, uma lareira, uma estátua de bronze. Ali ficam, condenados a uma vigília eterna. Assim é o inferno sartriano: asséptico e iluminado como a sala de espera de um dentista, ou a ante-sala de um deputado. Eles ali estão, juntos, sem saber por que, já que no inferno, como numa fila de secretaria em que se distribuem senhas, os mortos são agrupados pela simples ordem de chegada. É tudo singelo — e infernal.
O inferno de Sartre é o lugar do mesmo, é o suplício da repetição. Os três não podem, sequer, fechar os olhos, de tal modo o presente se mostra contínuo e inexorável. “Sem pálpebras, sem sono, é tudo a mesma coisa. Nunca mais vou dormir”, lamenta-se Garcin. Nos primeiros momentos, ainda se apegam a pálidas visões da vida terrena e à ilusão de que o inferno pode não passar de um mal-entendido. “A gente está no inferno, aqui nunca há engano”, alerta, no entanto, a sarcástica Inês.
É Inês, ainda, quem formula a idéia de que o inferno são os outros. Ela é a primeira a constatar que não precisam temer a chegada de ninguém mais, nem que fosse um carrasco, já que “cada um de nós é o carrasco dos outros dois”. Também é Inês quem consegue se ver melhor: “Eu sou má: isso quer dizer que eu preciso do sofrimento dos outros para existir”. Enquanto isso, habituada ao glamour de um mundo de imagens, Estelle procura inutilmente por um espelho. São personagens abomináveis, que chegam a um inferno vazio, onde nem o sofrimento é palpável.

A esperança como armadilha

Cabe ao literato Garcin fazer a única descoberta que pode lhes devolver alguma esperança. “Nenhum de nós pode se salvar sozinho; ou nos perdemos de uma vez juntos, ou nos salvamos juntos”, ele constata. Aos poucos, contudo, os três descobrem que, no inferno, também a esperança é uma armadilha. O próprio inferno, na verdade, é a armadilha — e cada um deles uma armadilha para os outros. Nada mais lhes resta.
Os pedidos de ajuda não funcionam. “Estou seca por dentro. Não posso dar nem receber; como é que você quer que eu te ajude?”, pergunta Inês a um perplexo Garcin. “Será que eu não sou mais nada?”, se pergunta Estelle, sintetizando a experiência da morte. No desespero, é Garcin que, enquanto esmurra a porta da sala na esperança de escapar, formula uma dolorosa reflexão a respeito do valor da vida. “É melhor levar cem mordidas, chibatadas, ácido sulfúrico do que esse sofrimento mental, este fantasma de sofrimento, que acaricia e nunca dói o bastante”.
No inferno de Sartre, nem o medo tem qualquer utilidade. Tudo é indiferença. “O medo era bom antes, quando a gente ainda tinha alguma esperança”, diz Inês. Entre os anos 40 e 50, também Sartre escreveu seu teatro em grande isolamento, prensado entre as experiências do teatro do absurdo de Beckett e Ionesco à sua direita, e o teatro didático de Brecht à sua esquerda. O esquecimento em torno de seu nome, hoje, se acentuou: tanto como crítico literário, quanto como filósofo, Sartre é um autor em franco desprestígio, que se tornou mais objeto de estudo que fonte teórica confiável. A releitura de “Entre quatro paredes” nos serve para repensar a posição que ele ocupa hoje tanto na literatura, como na filosofia.
O inferno experimentado por Garcin, Inês e Estelle é um lugar parecido com o mundo contemporâneo, unificado pela tecnologia, imobilizado pelo pragmatismo e preso à monotonia da repetição de massa. Talvez seja, então, um momento especial para retornar a Sartre. Quem não quiser se expor ao risco de ser perturbado, poderá, ao menos, rir do mundo à sua volta.

JOSÉ CASTELLO é jornalista e escritor.

Fonte LIVRARIA CULTURA

Gambárê

gambárê é uma palavra japonesa que em português significa: dê o melhor de si.
(Do blog do Jun Nakao)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Very Rio de Janeiro




Tenho o prazer de anunciar que a Lenny aceitou o convite para fazer parte da coleção!
Parabéns a todos pela ótima sugestão. Vocês têm razão, será excelente para a coleção ter um livro sobre moda praia e alguém tão forte no Rio.

Para termos idéia da importância disto, ela não tinha ouvido falar da coleção! A Eliete já providenciou o envio de uma caixa completa, hoje mesmo, pelo nosso representante no Rio.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Os estilistas

André Lima
Clo Orozco
Marcelo Sommer
Reinaldo Lourenço
E ?

O quinto nome está em aberto. Queremos um estilista que viva e trabalhe no Rio de Janeiro.
As opções são Isabela Capeto x Lenny Niermeyer.
Eu em principio, gostaria de fazer o livro da Isabela, justamente pq ela é um dos novos nomes no país e eu gosto muito do repertório dela. Pelo mesmo motivo nossos coordenadores são contra.
A Lenny por outro lado, tem o perfil um pouco parecido com a Clo, a mesma idade, um público similar. Mas, como a Flávia e o Cauê tb são favoráveis a incluir a moda praia carioca e o requinte da Lenny na coleção, eu aceito. Ponto para as mulheres, em 10 livros teremos 30 % do território.

Coleção moda brasileira - parte 2


(foto: Raquil Lange na Geográfica, outubro 2007)